segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

dor

Meu pequeno está doente. Pensava que ele era eterno. Queria que seu avô viesse buscá-lo para algum lugar onde não existisse mais dor.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

saibam que

eu nada tenho contra os homens. Apenas não quero um deles em minha cama.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

patéticos neocaretas

Mesmo depois de terem inventado a mini saia nos anos 60/70 os jovens de 2009 ainda se sentem ofendidos em sua "moral" a ponto de cometer atos totalmente patéticos como os que aconteceram na faculdade Uniban. E mais patéticos ainda continuaram a propagar comentários ridículos do tipo machista, conservador e retrógrado.
Na verdade, espera-se, ainda nos dias de hoje, que a mulher se comporte de forma sempre muito adequada, discreta, recatada e que fique vermelha e baixe os olhos pra coisas "cabeludas". E que seja enfeite pros olhos masculinos. Uma mulher que não é feminina é praticamente uma ofensa, como pode? Como pode uma mulher não ser feminina?
E quando uma mulher gosta do seu corpo e veste o que quer e gosta, e 'tá pouco se lixando' pro que fulaninho vai pensar, ela incomoda, ah incomoda muita gente! O problema é que a Geise não tem noção de tudo isso e vai em tudo que é programa de TV pra levar mais na cara e dar mais IBOPE pra essa mídia burguesa e conservadora. Uma pena. Torna todo esse caso mais patético ainda.

Certamente as mães ou avós dos patéticos neocaretas já usaram mini saias como estas, que aliás são mais curtas que a da Geise, não acham?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

e daí?

Inexplicável como ainda posso amar esta cidade, do passeio na avenida cartão postal interrompido pela visão de um assalto bem debaixo dos olhos de todos? Como posso ainda amar viver, se ser humana me consome de vergonha quando vejo o cidadão jogar um saco de supermercado cheio de lixo pela janela do carro? Como posso não me consumir se sou tão culpada quanto qualquer ser deste mundo por essa engrenagem dantesca? Fazer a minha parte pra ficar tranquila? Não, não quero absolvição de consciência, isso é pouco demais. Paralisia. Agora estou dentro do meu apartamento a salvo, e daí? Grande bosta. Mas muitos conseguem respirar aliviados. Sorte deles? Não sei.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

cotidiano

Situação 1

Passeio no bairro da sogra, as duas de vestido, mãos dadas, carinhas felizes, uma fofura!
Ao passar na frente de duas senhoras, uma delas portuguesa, que estavam a conversar no portão...

- Ó pá, estava eu a pensar que as sapatas eram todas meio macho!

Situação 2

Na cozinha fazendo brusquetas e conversando com os cachorros...

- A mamãe vai ali na varanda pegar uma 'ervinha' que vai deixar esse barato muito louco viu filho? Peraí...

A imaginação do vizinho diz que:

a) ela foi buscar majericão
b) ela foi buscar óregano
c) ela vai fumar óregano
d) ela foi buscar maconha direto do pé
e) ela vai fumar maconha e comer brusqueta na hora da larica

?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

urucubaca geral

Alguém aí perdeu uma nuvem preta?

Ela tá bem aqui e não é minha...

e ela tá chovendo.



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

eu vejo você pelo que você compra no supermercado

O meu passatempo preferido na fila do supermercado, enquanto a fila não anda, é olhar o que as pessoas compram. O que você põe ali naquela esteira pode dizer muitíssimo de como sua vida é e até da sua personalidade. Tenho esse vício e não consigo deixar de prestar atenção. Enquanto eu imagino coisas mirabolantes a Pri analisa se a pessoa tem hábitos alimentares saudáveis ou se é um baldão de lixo ambulante.
Dia desses me peguei, vendo o cidadão que estava na minha frente, comendo tortas congeladas em frente a televisão, de meia e cueca, no meio de uma zona, tomando Toddynho. E sozinho, coitado. Tinha cara de coitado. Como ele era barrigudo e tinha cara de mal humorado, a mulher o deixou e levou quase todos os móveis. Agora só vê o filho aos domingos, isso se a mulher não se pirulitar com ele e seu novo namorado magricelo para o Guarujá.
Tinha também, na fila ao lado, um cara de terno que comprava verduras lavadas e pão integral para fazer um sanduíche natural, afinal ele chega todo dia tarde e precisa comer algo leve. O engravatado também mora sozinho e só tem tempo de ir ao mercado às dez da noite, depois de ficar o dia todo em volta de uma mesa de reuniões, conversando com pessoas chatas, interessadas em lucrar sempre mais. É desses que conversam no elevador sobre os últimos lançamentos de automóveis e combina de jogar tênis aos finais de semana. No fim das contas, não é rico e também não é pobre. Não tem mulher porque é metrosexual e não suporta celulite.
Outro dia havia duas mulheres mais ou menos da mesma idade. Eram dessas mulheres comuns, as duas de cabelo meio curto, unhas sem esmalte e roupas básicas. Falavam pouco, olhavam-se pouco, mas havia cuidado ao falar. Havia uma coisa na voz quando uma dirigia a palavra à outra. Amigas não eram, amigas falam muito. Compravam geléia e pães. Compravam grãos, massas e legumes que duram bastante. Gostam de cozinhar, mas não é sempre que há tempo para isso. A mais magra costuma corrigir provas de alunos enquanto a companheira cozinha e ouve jazz. Moram num apartamento próprio, herdado da família da professora. É um apartamento antigo e espaçoso. Criam dois gatos pretos.
Quase sempre no final da tarde tem um velhinho que vai comprar carne. Ou salsichas. Compra todo dia o que vai comer no jantar. Prefere que seja fresco. Costume que herdou do tempo em que não havia geladeira. Provavelmente esteve na guerra ou foi muito afetado por ela. Tem um cachorro vira lata que espera na porta e sempre ganha uma salsicha. Vai atrás do homem saltitando de felicidade. O cão é seu verdadeiro amigo, dos filhos há muito não tem notícias. Viúvo, gosta de jogar dominó num boteco de fachada azul e de tocar gaita.
Ps.Eu também imagino os casais transando e vejo as pessoas peladas. Mas aí eu conto um outro dia.