quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

anti social

O que vocês me dizem de uma pessoa que fala de si mesma na terceira pessoa? 
- Olha, a Fulana é uma pessoa que busca elevação espiritual, blá blá blá whiskas sachet....
Ainda falando desta mesma pessoa:
- Quando eu falei com papai do céu... (Socorro! Ela tem bem mais de quarenta anos e fala com papai do céu?)
Aí eu me pergunto: fujo de academia como o diabo da cruz pra cair num minúsculo espaço de yoga, onde faço aula com mais três pessoas, sendo que uma delas é minha mulher, para, ainda assim, ouvir essas coisas? Juro que se não fosse tão bom pra minha coluna eu picava a mula. É, eu não tenho paciência para conviver com pessoas assim...
Outro dia fui à manicure, uma que não me conhecia. Acontece que faço a unha da mão, só a da mão, a cada 5 ou 6 meses, coisa super rara mesmo! Isso porque não tenho a menor paciência para ficar lá sentada nesses salões e não vejo vantagem em fazer a unha e estragar na mesma noite cozinhando e lavando louça ou dando banho em cães, enfim. A tal da mulher, que nem me conhecia, já veio logo contando a vida inteira, contou sobre quando foi assaltada, sobre o dia que estava no bingo e baixou polícia e explicou onde tem um bingo clandestino e, pra fechar com chave de ouro, ela conseguiu chegar no assunto "desgraças que ela presenciou com gatos e cachorros" e ainda me arrancou um senhor bife! Eu detesto quando as pessoas sabem que eu gosto demasiadamente de animais e me falam desse tipo de assunto! Tipo: ai esses dias eu lembrei de você, é que tinha um cachorrinho atropelado e ele tava com as tripas pra fora e olho saltado e não sei mais o quê... Fala pra mim, é de matar né? O pior é que essa manicure nem sabe do meu voluntariado com cães, ela não sabia nada de nada da minha vida! Explica isso?
Outra coisa que me deixa desnorteada são pessoas que falam super alto. E que falam pelos cotovelos! É nessas horas que pareço super antipática, mosca morta, tímida ou sei lá o que as pessoas pensam. Eu me divirto. Elas falam por mim, não preciso falar! Outro dia na casa de um parente X, estavam umas pessoas assim, aí a Pri olhou pra mim e perguntou: você está bem? Eu estava atordoada e incapaz de proferir qualquer opinião. Primeiro porque o assunto era remédios, mais exatamente auto medicação, vou falar o quê? Evito até que a morte se aproxime* qualquer comprimido que seja, ainda mais assim, sem indicação médica. Uso própolis pra tudo: dor de garganta, cicatrizante, gripe, resfriado, frieira, chulé...Brincadeira! Mas gosto de soluções naturais sempre que possível.
Eu ouvia o seguinte: 
-Menina esse remédio é tão bom! Ele que curou meu joelho. Uma amiga minha tinha tomado, aí ela me deu o nome e eu comprei. Nossa, santo remédio!
Eu pensava: que coisa mais louca! E era remédio pra emagrecer, pra levantar o defunto, pra dor na coluna, elas falaram um pouco de todos! Eu queria sugerir uns exercícios de yoga pras dores na coluna, uma dieta com menos carne e menos doces pra emagracer e queria dizer que eu não preciso levantar o defunto (hahaha), mas achei melhor ficar quieta! 
Está tudo bem, meu amor, fica tranquila, estou só ouvindo o pessoal conversar! ;)

*Minha amiga, Dra. F. sabe do que estou falando...rs

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

revoltada

Primeiro eu quero dizer que, para mim, o cretino que enterrou o cachorro vivo, lá não sei onde, notícia esta que todo mundo está falando e, pior: sabendo que eu amo animais, faz questão de comentar comigo, devería ser igualmente enterrado vivo e com o "pinto" cortado, afinal ele é muito valente e tenho certeza que pode suportar isso!
Segundo, homens idiotas deveríam pegar as suas cantadas vulgares e enfiá-las muito bem enfiadas no fundo do baú, porque assim, proliferando-as aos quatro ventos, as suas chances de "pegar" mulher vão cair abaixo de zero e os seus pintos vão ficar cada vez mais próximos do tamanho de seus cérebros! Cuidado.
Terceiro: por hoje é só!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

o valor das coisas

Chegando a época do ano que menos gosto: natal. Todo ano a mesma coisa. Pessoas preocupadas em comprar presentes e muita comida. Festas de fim de ano que se repetem com as mesmas intenções de sempre, cumprir papéis e depois ir embora. Se você é vegetariano, fatalmente vão falar: mas você não abre uma excessãozinha nem no natal? Mas o que isso tem de especial? Ah, mas você não vai comprar um presente pra ninguém? Não e não gosto de ser presenteada por obrigação, faço isso para quem eu gosto na hora em que achar que devo, ou que achar alguma coisa que é a cara da pessoa.
Época de demonstrar carinho por aqueles que merecem é todo dia. É preciso dar o devido valor às pessoas sempre e às coisas simples da vida.
Nesta época do ano é comum ceias fartas e depois jogar muita comida fora, crianças mergulhadas em embalagens de presentes, muitas vezes descartáveis, muitas luzes pela cidade gastando energia a rodo, pedidos mirabolantes para um papai noel que nunca existiu. Gente abandonando seus bichos na rua pra poder viajar e, ao chegar na praia, jogar lixo na areia, beber até atropelar alguém...
Depois, vêm as ilusões seguidas de promessas homéricas que não podemos cumprir no novo ano. Porque não fazer o melhor todos os dias?
Observar uma planta crescer, comer de modo mais natural, reutilizar as coisas o máximo possível, deixar de lado a cultura do descartável, poupar luz, poupar água, reciclar o lixo, dizer não às sacolas plásticas. Dar um presente feito por você, especialmente para alguém que gosta, sem data, sem motivo. Cultivar flores, respirar mais calmamente. Comer menos, respeitar os animais, fazer tudo o que está ao seu alcance pra ser alguém melhor. Ser menos impulsivo, deixar sua marca boa no mundo, por pior que a humanidade lhe pareça.
O que a gente precisa é de mais sinceridade e menos papai noel.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

conviver com

Revendo antigas postagens, de quando comecei este blog, percebi que algumas coisas permanecem iguais. Ainda gosto de cerveja no copo americano e acho que de americano, basta-me o copo. Ainda tenho imensa dificuldade em meditar e acho que as coisas divinas não são mesmo para mim. Desisto de tentar achar uma forma de acreditar em algum tipo de deus, realmente esse tipo de coisa continua não fazendo sentido na minha cabeça e, pra mim, tudo bem assim.
É, talvez a Mutante não seja assim tão mutante. Até mesmo porque, as coisas mudam e, nem sempre é fácil acostumar-se, ou melhor, conviver com elas. 
Durante um bom tempo idealizei uma coisa e achei que esta coisa, finalmente acontecia na minha vida do jeito que eu tinha sonhado. Mas quando as coisas envolvem pessoas, elas podem tomar um rumo inesperado, com falhas no meio do caminho. E aí preciso aprender a conviver com as falhas e com os acontecimentos que estavam fora dos planos, daquilo que sonhei como coisa perfeita. E isso não é nada fácil. E também acho que o tempo não é tão amigo assim da superação. Sim B., você tem razão. As coisas que são nossas, continuam dentro de nós, independente dos fatores externos e do tempo. Minha ilusão continua aqui, minha tristeza continua também, minha decepção, meu amor, minha luta pra conviver com tudo isso. Tudo isso faz parte de mim. Uma pessoa não pode ser só alegria. Uma pessoa também é feita de tristezas. 
Não pretendo me tornar amarga, minha luta é pra continuar doce. Mas preciso aprender a conviver bem com as coisas todas que fazem parte de mim.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

mutação dos 31

Vejam só, fiz 31 anos e nem me lembrava. Você demora um tempo pra assimilar a nova idade. Não fosse o título deste post, na minha cabeça, ainda tería 30. Mas aí percebi que estou mudando e então pensei, já que quero falar desta mudança, que nome darei ao post? Tá aí.
Pura bobagem dar nome. Os nomes que se dão às coisas quase não servem pra nada. Quando eu era criança, para mim, a azeitona não era azeitona, o nome que eu dava, ainda hoje me parece compatível com azeitona:
- Mãe, me dá uma certeza?
-Não vais comer certezas agora, Karina! O almoço está quase pronto!
Certezas verdes, certezas pretas, adoro certezas. E adoro ter certeza. E tenho as minhas.
Aliás uma há uma coisa acontecendo. Esperei passar a TPM e a coisa continuou. É uma coisa que você sente de dentro pra fora e sabe que veio pra ficar, sabem como é? A coisa é que estou me tornando uma pessoa anti social. É verdade, eu sei, os que me conhecem vão dizer que não se parece comigo, que deve ser uma longa TPM que vai passar. Mas estão profundamente enganados, desprovidos de certeza!
Cada dia mais tenho preguiça das pessoas. Elas me cansam, chupam minha energia. São um monte de planetas chupões ambulantes (acho cômica essa teoria de planeta chupão). Sabe quando você descobre que, ficar em silêncio no seu canto, pode ser muito mais agradável do que conversar coisas que vão dar sempre na mesma conclusão? Sabem o que é começar um curso e fingir que está dormindo na hora do intervalo para não conversar com pessoas carentes e chatas esperando a aprovação do outro? E conversa de elevador? Haja humor! O dia precisa estar simplesmente lindo pra eu ter saco de certas conversas.
Sabem o que me cansa? É que as pessoas vivem num mundinho que elas criam na cabeça delas como "normal" e aí, se você for diferente daquilo, elas te importunam com perguntas esdruxulas e óbvias, ou fazem comentários que elas acham pertinentes sobre algo que elas acham que faz referência àquilo que você está dizendo mas não tem nada a ver. Daí a minha cara de alface (como diria um amigo da Pri) que sou obrigada a disfarçar com algum comentário mais esdruxulo ainda, se não quiser cair num constrangedor silêncio.
Até de festa estou com preguiça. Haja inspiração! Um cineminha ou mesmo ficar em casa, na minha cozinha que eu adoro, a inventar minhas coisas ali quieta, está me parecendo um tanto melhor que tudo. Estou com uma preguiça enorme de conhecer gente, de falar da minha vida. De ouvir, até que não, sou boa ouvinte. Até porque, se você não fala, ouve mais. Eureka! Dizem os sábios que falar pouco e escutar mais é o caminho ;)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

santa ignorância

Não sei se já falei aqui, mas este blog nasceu de uma expressão que a psiquiatra da minha mãe usou para designar um estado causado por um medicamento que ela tomou e toma até hoje, mas agora em dose menor, pra não causar lapsos de loucura ou estado de "delirium".
De fato venho aqui cada vez menos para falar do meu cotidiano, ou fazer declarações de amor, ou memórias e poemas clichês. Cada vez o meu senso de ridículo aumenta mais e, isso não é nada bom, porque começo a ter desprezo por qualquer coisa que escrevo e que podería até ser considerado poético por alguém, fazendo com que o blog fique cada vez mais às moscas, por puro pudor.
Começo a perceber que o blog virou um tipo de divã, quando preciso expurgar alguma coisa, que não consigo falar a ninguém, venho aqui e desabafo, o que remete ao nome original do blog. Em vez de pirar de vez, venho aqui e ponho minhas angústias para os psicólogos que gostam de ler o que escrevo. Aliás eu nunca imaginaria que alguém pudesse esperar por um post meu, fico lisongeada.
Então vamos ao que interessa: ultimamente só posso crer que, ser ignorante em diversos aspectos só pode fazer bem. Quanto mais eu conheço as pessoas e como funcionam determinadas coisas, mais eu queria desconhecer tudo e viver uma vida na superfície. Felizes os alienados, penso eu, diversas vezes. Acabo mergulhada em pensamentos indissolúveis e incessantes que, me pego no banho, perguntando-me quantas vezes já passei o shampoo no cabelo. Alguns pensamentos me atordoam e me deixam aérea, sei que Pri até sente isso, quando me pergunta o que estou pensando ou sentindo e sou incapaz de dizer. Percebo que ela diz diversas vezes que me ama, tentando me trazer de volta, quando vê em meus olhos uma angústia e me percebe bem longe daqui.
Desde que assumi algumas responsabilidades, sinto um peso em meus ombros que não é nada confortável. Dias fico imensamente feliz por acreditar que estou fazendo um bem enorme e, dias fico extremamente melancólica em pensar, será que fiz direito? Mesmo a intenção sendo das melhores, nem sempre é confortável o resultado alcançado. Eureka, talvez seja isso: talvez aí more o problema de não se aprofundar nas coisas e pessoas, nem sempre os resultados daquilo que fazemos ou aprendemos, é confortável. Quanto mais se sabe, menos confortável se fica. Há dias em que, nem todos os cobertores fofos combinados com seriado de vampiro, podem resolver uma angústia que insiste em morar dentro do peito. E nem o Tandrilax quer resolver o torcicolo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

tempos modernos

"O senhor quer fazer um seguro de televisão?"
"O senhor quer comprar o novo fogão à gás-elétrico-à-lenha-atômico?"
"O senhor não quer comprar uma geladeira que conserva os alimentos por dez anos?"
"O senhor quer comprar as lâmpadas eternas de laser?"
"O senhor quer comprar uma coleção de livros em branco? Assim não é necessário ler."

Todas estas frases são do livro Zero do Loyola. Confesso que estou demorando séculos pra ler, mas cada vez que eu leio fico impressionada com as tiradas do autor, muito bom!
E não é que vivem tentando nos empurrar coisas o tempo todo? Não suporto centrais de telemarketing que ficam ligando pra casa das pessoas e enchendo o saco pra vender coisas que não são necessárias. Ah, vão vender a mãe né? Além do mais, você tem que esperar o sujeito ler o script inteiro e o cara faz isso sem respirar que é pra você não poder ter a chance de dizer qualquer coisa antes de ouvir tudo. Nessas horas eu queria não ter compaixão. Sempre penso que o coitado tá dando um duro danado, nesse empreguinho chulé, pra poder sustentar sabe-se lá quantos pentelhos.

E os catálogos de produtos milagrosos que recebemos via correio? Aqueles aparelhos para exercícios sem esforço, meias calças eternas, facas super poderosas? Quanto papel desperdiçado!
Outro dia, recebemos um catálogo de roupas dizendo: Os casacos estilo militar são a grande tendência da estação, você NÃO PODE deixar de ter o seu! E tem gente que gosta dessa prepotência da industria da moda! Eu, hein!

Outra coisa que não devería existir é essa gente que quer converter as pessoas para uma determinada religião. Sobretudo aqueles que tocam a campaínha nos sábados e domingos de manhã. Ou que te flagram de pijama pondo o lixo pra fora e querem conversar...
Certo dia, tive que responder:
- Desculpe, mas não é um bom momento, como vê, estou de pijama e pretendo entrar em casa o mais rápido possível!
-Será que a senhora tem interesse em conversar uma outra hora?
-Não, não, obrigada, sou atéia convicta, não tenho interesse algum.
O homem era tão branco que jamais devería andar por aí à luz do sol!
Sabe essas duplas de rapazes que um deles fatalmente é gringo e quase albino? E eles tem uma mini placa preta (que parece de jazigo de cemitério) grudada no bolso da camisa? Pois é.

Bom, vou ficando por aqui e compartilho com vocês, um vídeo que considero obrigatório assistir. Esse vídeo e o filme V de Vingança, mudaram a minha vida!